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Tremor essencial: diagnóstico, sintomas e opções de tratamento

Distúrbio neurológico comum e frequentemente confundido com Parkinson, entenda o que é o tremor essencial, como reconhecer seus sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as principais opções de tratamento disponíveis.
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O tremor essencial se trata de um distúrbio neurológico comum e frequentemente confundido com Parkinson. (Imagem: Freepik)

 

O tremor essencial é um distúrbio neurológico comum, progressivo e que impacta diretamente a rotina de milhares de pessoas no mundo. Embora muitas vezes confundido com a doença de Parkinson, trata-se de uma condição distinta, com causas próprias, apresentação clínica característica e tratamentos específicos, que variam desde medicamentos até terapias cirúrgicas avançadas, como o HIFU (High Intensity Focused Ultrasound) e a Estimulação Cerebral Profunda (DBS).

Neste texto, você vai entender de forma clara e completa tudo sobre o tremor essencial, com foco em diagnóstico, sintomas, tratamentos disponíveis e quando cada abordagem é indicada.

 

Antes de tudo: que é o tremor essencial?

O tremor essencial é um distúrbio do movimento caracterizado por tremores involuntários, rítmicos e geralmente bilaterais, que aparecem durante a ação, ou seja, quando a pessoa realiza tarefas como segurar objetos, escrever, comer, maquiar-se ou executar movimentos finos.

É considerado o distúrbio do movimento mais comum no mundo, podendo afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais frequente a partir da meia-idade. Sua causa exata ainda não está totalmente esclarecida, mas estudos sugerem alterações nos circuitos cerebelo-talâmicos, responsáveis pela coordenação motora, além de evidências de que, em muitos casos, o tremor essencial pode ser transmitido de geração a geração.

Embora não seja uma doença fatal, o tremor essencial pode comprometer significativamente a autonomia e a qualidade de vida, afetando atividades simples do dia a dia.

 

Sintomas e características do tremor essencial

Apesar do nome sugerir que o tremor seja a única manifestação, essa condição pode vir acompanhada de outros sintomas. Ainda assim, o tremor é, de fato, o principal motivo de procura por atendimento.

O tremor essencial aparece principalmente em duas situações:

  • Na postura – quando a pessoa mantém os braços erguidos contra a gravidade.
  • Durante o movimento – e tende a ficar mais evidente quando a mão se aproxima do alvo.

Exemplos do dia a dia que deixam isso claro:

  • Ao servir café, o tremor costuma aumentar quando a garrafa chega perto da xícara.
  • Ao levar a xícara à boca, o tremor se intensifica na reta final.

Esse tremor geralmente afeta os membros superiores do corpo, como as mãos e os braços. Mas ele também pode atingir:

  • Cabeça, com o típico movimento de “não–não”.
  • Voz, dando a impressão de que a pessoa está falando nervosa.
  • Pernas, embora com menos frequência.

Como é feito o diagnóstico do tremor essencial?

O diagnóstico do tremor essencial é clínico e realizado por um neurologista, especialmente um neurologista especializado em distúrbios do movimento. A avaliação envolve:

1. História clínica detalhada

  • início dos sintomas
  • progressão
  • impacto funcional
  • histórico familiar (costuma haver forte componente hereditário, embora não seja obrigatório)

2. Exame neurológico

O neurologista observa:

  • características do tremor
  • equilíbrio e caminhada
  • coordenação motora
  • presença ou ausência de rigidez, bradicinesia ou outros sinais que sugerem Parkinson

3. Exames complementares (quando necessários)

Embora não existam exames específicos para diagnosticar tremor essencial, alguns testes ajudam a descartar outras condições:

  • Ressonância magnética (RM)
  • SPECT com TRODAT, em casos de dúvida diagnóstica com Parkinson
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Ressonância magnética ajuda a descartar outras condições neurológicas e contribui para uma avaliação mais precisa sobre o tremor essencial. (Imagem: Freepik)

 

Tremor essencial x Doença de Parkinson: qual a diferença?

Apesar de serem frequentemente confundidos, tremor essencial e Parkinson têm características distintas:

O tremor do tremor essencial costuma aparecer durante a ação  e a manutenção de postura, enquanto, na doença de Parkinson, nota-se principalmente em repouso (quando o membro afetado pelo tremor está completamente apoiado em uma superfície, ou durante a caminhada). Em relação à simetria, o tremor essencial tende a ser bilateral, afetando os dois lados do corpo desde o início, ao passo que a doença de Parkinson geralmente começa de forma unilateral, atingindo apenas um lado antes de progredir. Outro ponto importante na investigação clínica é a região do corpo acometida: no tremor essencial, o tremor atinge predominantemente e de forma obrigatória, os membros superiores, característica que ajuda a diferenciar a condição de outros tipos de tremor.

Quanto aos sintomas associados, o tremor essencial costuma se apresentar de forma isolada, sem outros sinais neurológicos importantes. Já a doença de Parkinson envolve um conjunto mais amplo de manifestações, como rigidez muscular, lentidão dos movimentos (bradicinesia) e instabilidade postural. Outro ponto importante é a resposta ao álcool: pessoas com tremor essencial podem relatar melhora temporária após pequenas quantidades de bebida alcoólica, enquanto na doença de Parkinson essa melhora não acontece. 

Por fim, existe diferença também na predisposição familiar. O tremor essencial tem história familiar comum, indicando forte componente hereditário. Já na doença de Parkinson, o histórico familiar é menos frequente, embora ainda possa estar presente em alguns casos.

Essa distinção é fundamental, pois o tratamento é diferente.

 

Quais são os tipos de tratamento para o tremor essencial?

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Os medicamentos são considerados a primeira linha de tratamento para o tremor essencial. (Imagem: Freepik)

 

1. Tratamento medicamentoso (primeira linha)

O tratamento do tremor essencial tem como objetivo reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida. A abordagem é individualizada, levando em conta a gravidade, o impacto funcional e a resposta aos medicamentos.

Quando o tremor essencial começa a interferir nas atividades do dia a dia, o primeiro passo costuma ser avaliar as opções de tratamento clínico, que envolvem diferentes grupos de medicamentos.

2. Tratamentos cirúrgicos e não invasivos

Quando o tratamento medicamentoso não alcança o resultado esperado, entram em cena as opções cirúrgicas. Entre elas, temos a estimulação cerebral profunda (DBS). Nesta cirurgia, são implantados no cérebro dois eletrodos extremamente pequenos, cilíndricos, finos e medindo cerca de 7 a 10 mm. O sistema funciona como um “marca-passo cerebral”. O neurologista pode ajustar os parâmetros externamente, usando um tablet, aumentando ou reduzindo a estimulação e alterando o formato da corrente até encontrar o padrão que melhor controla o tremor.

Para que o resultado seja realmente bom, quatro pontos são essenciais:

  1. O paciente passar por consulta com um especialista em distúrbios do movimento antes da cirurgia
  2. Indicação correta, com diagnóstico preciso de tremor essencial;
  3. Uma cirurgia bem executada, idealmente por um neurocirurgião funcional experiente;
  4. Uma programação adequada do aparelho.

Segundo a literatura médica, a cirurgia de DBS costuma proporcionar uma melhora média (considerando resultados de um grande grupo de pacientes operados) de até 70% do tremor após um ano, desempenho superior ao das medicações, que em média reduzem cerca de 50% dos sintomas. Por isso, é uma técnica altamente eficaz para muitos pacientes.

E por fim, temos o HIFU (High Intensity Focused Ultrasound) que é uma terapia não invasiva, guiada por ressonância magnética, capaz de tratar o tremor essencial sem necessidade de incisão ou implante.

Como funciona?

  • O paciente utiliza um capacete acoplado ao equipamento.
  • Ondas de ultrassom, altamente concentradas, atravessam o crânio e criam um ponto de ablação controlado no tálamo.
  • O procedimento é monitorado em tempo real por imagem e avaliação clínica.

Entre as principais vantagens do HIFU estão o fato de não exigir cirurgia aberta, proporcionando uma melhora imediata do tremor logo após o procedimento e permitindo uma recuperação rápida, sem a necessidade de internações prolongadas. Além disso, é uma excelente alternativa para pacientes que não são candidatos à cirurgia de DBS ou que preferem evitar implantes.

Prognóstico e evolução

O tremor essencial é crônico e tende a progredir lentamente ao longo dos anos. Embora não tenha cura, há diversas opções eficazes de tratamento, que permitem controle significativo dos sintomas e manutenção da autonomia.

Com diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e estratégias terapêuticas adequadas, muitas pessoas conseguem manter uma rotina ativa e independente.

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Apesar de não ter cura, com diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e tratamento correto, é possível controlar os sintomas do tremor essencial e manter uma boa qualidade de vida. (Imagem: Freepik)

 

Conclusão

O tremor essencial é um distúrbio neurológico comum e frequentemente subdiagnosticado. Reconhecer seus sintomas, compreender como ocorre o diagnóstico e conhecer as opções de tratamento, desde os medicamentos até tecnologias avançadas como a cirurgia de  DBS e o HIFU, é fundamental para promover qualidade de vida e autonomia.

Se você suspeita de tremor essencial ou convive com alguém que apresenta sintomas, buscar um neurologista especialista em distúrbios do movimento é o primeiro passo para um tratamento eficaz.

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